Posts by bruno.ledesma
Em busca de uma nova experiência leanback
Vivemos dias em que o conteúdo ofertado é gigantesco. Na internet o usuário cada vez mais tem dificuldades de encontrar algo que o agrade. No mundo da TV o problema também existe, e possui um fator agravante. A maioria das TVs e set-top boxes estão adotando o mesmo paradigma de busca da internet, que não atende a uma experiência “leanback”. Como a busca de conteúdo na TV pode se tornar uma tarefa mais intuitiva e menos frustrante? E se o conteúdo estivesse melhor organizado e fosse especialmente selecionado para cada usuário/cliente?
“Leanback” se refere a postura que adotamos quando assistimos TV, normalmente em um sofá ou poltrona com as costas inclinadas para trás. Isso trás um aspecto essencial para o consumo na TV, onde o usuário quer ser servido e tende a não querer perder muito tempo buscando. Para servir melhor é necessário conhecer o seu cliente.
A descoberta de gostos e preferências dos consumidores é uma questão pertinente a todo tipo de mercado, mas no mercado de entretenimento isso parece ter um apelo mais especial. O consumo de entretenimento é algo que possui uma carga menor de racionalidade e pragmatismo. É um universo onde métodos complexos e tarefas frustrantes não tem vez. No entanto quando falamos de consumo de Video On Demmand, Aplicativos para TV, Guias de Programação e demais recursos, vemos poucas iniciativas que venham facilitar a busca do usuário.
A busca na TV
Pense em como o sistema de navegação em canais da TV funciona: os canais estão dispostos em uma ordem e cada canal possui um número para acesso direto. Para navegar você utiliza botões do controle remoto que tem as funções “Próximo” e “Anterior”. Isso funciona muito bem para uma pequena quantidade de canais.
No entanto, com um número de canais maior, VOD e aplicativos na TV é necessário pensar em outras alternativas de busca. A maioria das soluções para TV interativa utiliza uma ferramenta de busca textual, um modelo que funciona muito bem na internet. Mas você já tentou realizar este tipo de busca no seu Televisor ou Set-top box? É demorado, é cansativo, é complicado, e no final a busca pode não retornar o que você queria. Resumo da obra: frustração.
Voltar um pouco as origens pode ser a chave para encontrar uma solução para tal problema.
A lição do Netflix
O Netflix, um dos mais populares serviços de Vídeo sob demanda, oferece seu conteúdo através de um mecanismo de recomendações. No momento em que o cliente assina o serviço, avalia alguns títulos e partir daí o Netflix monta um “cardápio” especialmente pensado para este cliente. Conforme ele vai assistindo filmes e séries, vai avaliando cada título que consumiu. Assim, o serviço se torna cada vez mais inteligente nas recomendações.
Outra abordagem que o Netflix está propondo é a recomendação “social”. Integrado ao Facebook, o Netflix monta um “cardápio” com as recomendações de seus amigos. Além disso é possível realizar a busca textual, mas esta ferramenta serve como um Plano B para o cliente. A proposta principal é que o cliente goste do que vê na primeira tela, e que precise apenas de alguns toques no controle remoto para chegar ao que lhe interessa.
Facilitando o acesso ao conteúdo que os clientes gostam, o Netflix aumenta as vendas e a satisfação dos mesmos. Outros players que distribuem conteúdo na TV ainda não estão atentos a este aspecto, que é essencial para uma experiência “leanback” para seu cliente. O modelo do Netflix não é perfeito. Ainda existe espaço para inovações que facilitem a busca do usuário. Melhorias em modelos de navegação, algoritmos de recomendação e de busca, e até nos dispositivos de interação (controle remoto) são boas alternativas para aproximar o desejo de consumo de entretenimento em satisfação do telespectador.
Ensino à distância pela TV Digital: é possível?
A TV Digital interativa possibilita a criação de soluções de ensino à distância, o chamado t-learning. Mas de que forma este tipo de solução pode contribuir para a criação de novas experiências de ensino e, consequentemente, atuar como elemento facilitador da inclusão digital?
A internet já é uma realidade no que se refere a ambientes digitais de aprendizagem. No entanto, há uma parcela da população que ainda não possui computador e/ou ainda tem uma certa resistência ao uso da ferramenta. O uso da TV pode captar este público e proporcionar uma experiência rica ao ensino por meio de vídeo aulas e aplicativos interativos. Estes aplicativos podem complementar o ensino de algum tópico abordado ou ainda possibilitar a realização de exercícios e/ou avaliações pelo controle remoto.
Para ilustrar melhor poderíamos ter um curso de física como o apresentado no Telecurso 2000 no vídeo abaixo:
Junto à vídeo aula poderíamos ter uma aplicação interativa que permitisse a interação do telespectador com uma animação. Pelo controle remoto, o telespectador poderia alterar a aceleração dos carros e visualizar a diferença na velocidade final e distância percorrida pelos veículos.
Outra possibilidade seria a utilização da interatividade para a realização de avaliações através da TV. Neste caso é necessário que o conversor ou televisor esteja conectado à internet, para que as repostas do telespectador sejam enviadas para a entidade responsável pelo curso.
O sinal digital já atinge entre 40% à 60% da população brasileira e até 2013 deverá atingir todo o país. Somado ao crescimento do acesso à internet cria-se um cenário mais propício para a concepção e implantação de soluções de t-learning no Brasil, dependendo ainda da disseminação de conversores e televisores com interatividade.
Comentar[Bê-a-Bá] TV com acesso à Internet. Isto é Ginga?
[Bê-a-bá] Como ter acesso a TV interativa no celular
Ter um celular com TV não garante acesso a interatividade. Mesmo que o celular seja capaz de receber o sinal digital isso não garante a possibilidade de receber aplicações interativas. Para explicar melhor isso, vamos mostrar quais as diferenças entre os tipos de celulares com TV.
- Celulares com TV analógica: São considerados mais populares, já que são encontrados com maior facilidade em camelôs ou qualquer loja de aparelhos eletrônicos. Pessoas que desejam assistir TV adquiriram estes celulares, mesmo com a transmissão do sinal em baixa qualidade. Apesar de em alguns lugares funcionar bem, a TV analógica não funciona com total eficácia em movimento, por isso não é uma boa escolha.
- Celulares com TV Digital: Já existem alguns modelos disponíveis no mercado. As operadoras de telefonia notaram o interesse do brasileiro pela televisão. Por isso, a oferta desses aparelhos deve crescer ainda mais nos próximos anos. A cobertura e qualidade do sinal também devem melhorar. Apesar de não ser em HD (High Definition) a imagem é bem exibida em movimento. Já é possível assistir TV com boa qualidade nos grandes centros.
- Celulares com TV Digital Interativa: Já existem lançamentos de marcas variadas. Além do sinal digital com boa qualidade, a TV nestes aparelhos funciona muito bem, além de possuir interatividade. O telespectador pode visualizar o conteúdo adicional, votar e participar de promoções por meio dos aplicativos interativos que a emissora transmitir.
Aplicação interativa no celular
Mas e como funcionam as aplicações pela TV Digital via celular? Confira abaixo o lançamento da LG, o GM600, com TV Digital interativa:
No vídeo é possível ver que o usuário acessa uma aplicação interativa pelo celular, transmitida pela Rede Globo, ao clicar no símbolo “i” que aparece no visor. Tal qual na TV digital, a programação continua sendo exibida e, ao lado, é disponibilizada a aplicação. Por meio do aplicativo, o usuário tem acesso a jogos, enquetes, além de outras informações. A aplicação em questão apresenta, ainda, dados a respeito da Copa da África (realizada este ano), como escalação e classificação dos times.
Comentar[Bê-a-Bá] O telespectador da TV Digital precisa da internet para garantir a interatividade?
Ao contrário do que algumas pessoas pensam, quando se fala em interatividade na TV Digital não se está falando na comunicação do telespectador com a emissora de TV. A simples capacidade de mudar a forma com a qual o conteúdo televisivo é exibido já é uma forma de interação. Ao apertar um botão no controle remoto e começar a visualizar fotos, textos e informações que não estão no vídeo da emissora, o telespectador esta interagindo com sua televisão. No entanto, a emissora de TV pode não estar sabendo o que se passa no televisor do telespectador.
Na TV Digital a comunicação do telespectador com a emissora se dá pelo canal de retorno, que pode ser pela internet ou por SMS. Mesmo sem ter acesso a um canal de retorno o telespectador já dispõe de interatividade na TV Digital via aplicações. Um exemplo é o aplicativo da Bandeirantes, sobre a Copa do Mundo. Por meio da aplicação, era possível acessar uma série de informações, como dados sobre a partida e seleções que participavam da copa. O telespectador tem o poder de escolher o conteúdo e forma que ele vai visualizar, desde que a emissora ofereça esse serviço.
Quando se trata de interação com a emissora de TV ou com um patrocinador de um programa televisivo, o canal de retorno se faz necessário. Mesmo sem ter uma TV interativa, o telespectador é estimulado a interagir via telefone ou pelos sites das emissoras. Por esses meios, os telespectadores participam de enquetes, votações, sugerem temas para programas e até fazem compras. É claro que quando seu televisor ou set-top box está conectado a internet, a interatividade fica mais interessante, pois é possivel participar usando apenas apenas o controle remoto.



