SET 2010 e Broadcast&Cable, impressões e TV Interativa.

Aconteceu na semana passada em São Paulo o maior evento sobre TV aberta e paga da América Latina, a SET 2010. Apesar do evento não se resumir a TV Digital, o tema teve grande destaque pelo momento que vive. Resumo algumas impressões sobre o evento.


Demostração do T-Commerce Platz da BRAVA iTV na SET 2010

Demostração do T-Commerce Platz da BRAVA iTV na SET 2010

Interatividade já é realidade

Diferentemente do ano passado, esta edição mostrou uma maturidade muito grande da interatividade da TV brasileira. Vários fabricantes, grandes e pequenos, exibiam seus televisores, conversores e celulares com sinal digital e interatividade. Incluindo alguns fazendo lançamentos no próprio evento como Samsung e Nokia.

Também as emissoras exibiam suas aplicações, cada vez mais ricas e integradas com a programação. Das dezenas de canais digitais abertos que já estão sendo transmitidos em São Paulo a maioria deles possuía recursos de interatividade, mostrando que a interatividade não é mais exclusividade dos grandes rádio-difusores.

Segmentação no mercado

Um problema que ficou evidente foi a segmentação das plataformas. Determinadas aplicações funcionavam bem em determinado conversor, mas não em outros. O que reforça a necessidade da suíte de testes que vem sendo bastante debatida.

O desafio da sustentabilidade

A maturidade também estava nos discursos. Muito se falou sobre modelos de negócios para a interatividade na TV Digital, mostrando a preocupação que se tem em tornar a interatividade algo rentável e não só uma “cereja no bolo”.

Nesta linha foi lançado o StickerCenter, uma plataforma que personaliza a TV e dá acesso uma espécie de “AppStore” na TV. Mais informações aqui.

T-Commerce despertando interesse

A BRAVA iTV teve um espaço no estande da TOTVS (TQTVD) para apresentar os benefícios da parceria e também o seu T-Commerce Platz. Este despertou interesse do público que claramente já entende melhor a aplicabilidade e os benefícios do T-Commerce em relação ao ano anterior.

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Euro iTV 2010 – Impressões

No início deste mês aconteceu na Finlândia o Euro ITV 2010. Trata-se de um grande (se não o maior) evento que aborda exclusivamente assuntos de TV Interativa. Foram três dias e muito conteúdo, ligados principalmente às novidades do mercado Europeu. A BRAVA iTV esteve presente. Segue um resumo dos fatos que nos chamaram mais atenção.

1. Workshop dos BRICs

Bruno Ghisi (CERTI) e Guilherme Lopes no Euro ITV

Bruno Ghisi (CERTI) e Guilherme Lopes no Euro ITV

No primeiro dia, ainda de pré-evento, aconteceu um workshop com palestras de países emergentes (Brasil, Rússia, Índia e China). Vários brasileiros estiveram presentes apresentando pesquisas sobre o sistema brasileiro de TV Digital, inclusive nós da BRAVA iTV. Alguns europeus estavam presentes e se mostravam interessados no mercado destes países. Entre as discussões o que mais lhes chamou a atenção foi a falta de infra-estrutura de banda-larga e a alta penetração do celular nestes países.

2. A TV Interativa na Europa

Nas primeiras horas de evento a sensação era de que havíamos chegado ao lugar errado. Não se falava em aplicações interativas para TV, era só: Internet, streaming de vídeos, serviços de recomendação, redes sociais… Mas com algumas conversas com os participantes a ficha caiu. Para a Europa a TV Interativa é TV conectada: webtv, broadbandtv, iptv, mobile-tv, etc. O foco era conteúdo em vídeo e a interatividade sobre estes, independente do meio. O modelo de aplicações interativas em TV aberta como estamos acostumado na Brasil é um modelo falido para eles. Em muito se deve ao fato de que a TV aberta por lá não é forte como aqui no Brasil e a banda-larga chega à maior parte da população.

3. Temas Mais Abordados

Dentro deste cenário, o que mais vimos por lá foram palestras relacionadas aos problemas, ou oportunidades, que a enorme quantidade de conteúdo que se tem na TV-conectada trás. Serviços de recomendação eram os donos do evento. Muito se ouviu sobre formas de oferecer o conteúdo mais adequado a cada telespectador. Baseado nos seus costumes, sua rede de amigos, idade, localização, etc. A integração entre redes sociais e a TV já realidade e era a principal preocupação de grandes empresas como Nokia e Siemens.

4. O Declínio do MHP (Padrão Europeu de Interatividade)

Nada a respeito foi formalmente apresentado, mas esta era tônica das conversas de corredores que tivemos: O MHP falhou e faz parte do passado. Participantes de várias nacionalidade, inclusive da Alemanha (país que inventou o MHP), comentaram que depois de 8 anos de tentativas a Europa falhou e unificar e fazer funcionar um padrão de aplicações interativas como estamos vendo aqui no Brasil com o Ginga. A principal razão é que os receptores e televisões digitais foram lançados no mercado sem suporte a interatividade. Não houve um apoio forte nem por parte dos fabricantes nem das emissoras. Todos consideram este tipo de interatividade “cara” e complexa e estão se lançando para Web.

5. O Cenário Brasileiro

O padrão brasileiro, Ginga, foi muito elogiado pelos europeus, do ponto de vista técnico e político. Além de possuir capacidades superiores ao MHP, suporta uma linguagem alternativa ao Java, que foi extremamente criticada pelo alto custo de desenvolvimento e exigência de hardware. Além disso, o governo, fabricantes e emissoras estão apoiando-o e já estão saindo aparelhos no mercado com o Ginga embarcado. Apesar dos elogios o ceticismo era evidente, e muitos diziam que o Brasil está na mesma posição da Europa há 8 anos atrás.

O evento foi de alto nível com excelentes discussões, mas ficou marcado como um choque de realidade. A TV como estamos acostumados, quase que onipresente, simplesmente não existe nos países desenvolvidos. O predomínio é de TV paga, a audiência é dividida entre centenas de emissoras (ou “criadores de conteúdo” como estavam frisando), nem mesmo a população dá tanta atenção a esta mídia.

Poderíamos encarar, como quiseram nos fazer acreditar alguns europeus, que estamos passando pelo mesmo ciclo. Mas dado tudo que vimos faz mais sentido julgarmos justamente o contrário. O Brasil tem um cenário peculiar, a inclusão digital ainda não é realidade e a nossa TV aberta tem excepcional qualidade. A qualidade do nosso padrão pode fazê-lo ser o único a triunfar no mundo bem como ser meio fundamental para inclusão digital de nossa população.

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